O senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka Imagem: Eva Marie Uzcategui/Reuters |
Em carta golpista, Flávio se diz 'presidente eleito' após perder eleição

Em carta golpista, Flávio se diz 'presidente eleito' após perder eleição

Letícia Casado e Luccas Lucena


Derrotado por Lula (PT) nas eleições presidenciais no último domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta golpista na tarde desta quarta-feira dizendo ser o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".

Após fugir do país, ele agradeceu no texto nominalmente os presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã de hoje depois de fugir do Brasil por meio de uma operação secreta com apoio do governo argentino.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Flávio Bolsonaro, em carta

Lula obteve 64,2 milhões de votos, o que equivale a 51,79% dos votos válidos. Em segundo lugar na disputa, Flávio teve 59,8 milhões de votos, o equivalente a 48,21%.

Na carta golpista, Flávio chama o governo Lula de "regime" e afirma ter sido vítima de perseguição por parte do Judiciário. Ele cita o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter determinado a apreensão de seus passaportes - que não foram entregues. Cita também o que chama de perseguição ao seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Flávio diz que sua fuga do país se justifica porque ele não poderia lutar contra o sistema estando aqui. "Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime."

Senador afirma que, desde o exterior, vai organizar a oposição ao governo Lula no Brasil. Ele afirma que, nos próximos dias, irá apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição e o "imenso apoio popular", por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula "consolide um regime ditatorial no Brasil".

De olho nas eleições para a presidência do Senado, Flávio declarou que seu candidato é o senador Rogério Marinho (PL-RN). "Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr."

Sem provas, Flávio fala em fraude

No documento, Flávio diz, sem provas, ter sido vítima de fraude eleitoral no segundo turno da eleição presidencial no Brasil, no último domingo. Ele responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, do STF, pelo resultado da eleição que deu vitória a Lula, e que ele considera uma fraude. Zanin prorrogou votação até as 19h após relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores, principalmente em São Paulo e na Bahia.

TSE declarou Lula eleito, e PL reconheceu resultado

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reconheceu a vitória de Lula. O presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, disse ainda na noite de domingo que falou com Lula e Flávio para confirmar o resultado do pleito.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, contrariou Flávio e reconheceu a vitória de Lula. "Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo TSE, mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos", disse texto publicado pelo partido.

Vice na chapa de Flávio também admitiu a derrota. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) comentou a derrota em vídeo nas redes sociais ontem, enquanto circulava a informação de que Flávio havia fugido. Gaspar, que não citou Lula pelo nome, agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que votaram na legenda.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Flávio declarou que respeitaria o resultado da eleição. "Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Eu tenho a convicção de que o Brasil já escolheu a mudança. No primeiro turno [o eleitor] já escolheu a mudança e, no segundo turno, vai continuar escolhendo a mudança", afirmou.

Uol
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/10/28/flavio-ignora-resultado-se-diz-presidente-eleito-e-cita-guaido-e-corina.ghtm