14 dos 20 clubes da Série A do Brasileiro são patrocinados por bets - Foto: Vitor Silva/Botafogo, Adriano Fontes/Flamengo, Marcelo Gonçalves/Fluminense e Matheus Lima/Vasco |
Governo se reúne com clubes de futebol nesta semana para discutir impacto da proibição das bets

Governo se reúne com clubes de futebol nesta semana para discutir impacto da proibição das bets

Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre a possibilidade de rompimento de contratos de patrocínio, o que levou dirigentes a alertar para dificuldades em honrar compromissos

Por Jeniffer Gularte - Brasília


O Palácio do Planalto chamará dirigentes de clubes de futebol para uma reunião nesta semana para discutir os impactos da medida provisória (MP) que determinou a proibição de bets no país. A intenção, neste primeiro momento, é ouvir os representantes do setor e fazer um diagnóstico dos prejuízos provocados pela decisão. Eventuais medidas de apoio serão avaliadas posteriormente. O encontro deve ocorrer na terça-feira.

O governo pretende reunir uma comissão com representantes dos clubes, que reagiram à proibição anunciada na última sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para o domingo, dia 4 de outubro, em meio ao acirramento da disputa entre o presidente Lula e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão do governo provocou reação entre os clubes. Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre a possibilidade de rompimento de contratos de patrocínio, o que levou dirigentes a alertar para dificuldades em honrar compromissos financeiros nos próximos meses.

O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e afirma não ter um plano alternativo para substituir a receita. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estima que a medida poderá provocar um prejuízo de até R$ 400 milhões no orçamento do próximo ano.

O Fluminense também foi comunicado pela Superbet, patrocinadora com a qual tem contrato até o fim de 2029, no valor de R$ 58 milhões anuais, sobre a possibilidade de encerramento do vínculo. Em nota divulgada pouco antes do anúncio da MP, o clube reconheceu a legitimidade do debate sobre as apostas, mas defendeu a adoção de um período de transição adequado caso as regras sejam alteradas.

O governo justifica a ofensiva contra as bets principalmente pela necessidade de combater o superendividamento das famílias brasileiras. A medida proíbe jogos de azar on-line, como o caça-níquel conhecido como "jogo do tigrinho", os jogos de colisão, como o "aviãozinho", além de roletas virtuais e apostas esportivas.

Com a publicação da MP, os apostadores ficam impedidos de fazer novos depósitos ou transferências para as plataformas. Os sites continuarão funcionando exclusivamente para permitir o resgate dos saldos, que poderá ser feito voluntariamente até as 23h59 de 5 de outubro. As empresas que dificultarem a retirada dos recursos estarão sujeitas a sanções administrativas e criminais por apropriação indébita.

O Ministério da Fazenda também elaborou um cronograma para encerrar as atividades das plataformas no país. À meia-noite de terça-feira, 6 de outubro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI) deverão bloquear os sites e determinar a remoção dos aplicativos. Com isso, deixará de existir a oferta legal de jogos on-line no Brasil.

Paralelamente à MP, que tem efeito imediato, o governo enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a exploração de jogos de azar, a publicidade dessas atividades e o uso de dados para esse fim. A proposta prevê penas de até seis anos de prisão.

O Globo
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/28/governo-se-reune-com-clubes-de-futebol-nesta-semana-para-discutir-impacto-da-proibicao-das-bets.ghtml