Visita de secretário-geral da ASEAN ao Brasil foi classificada como um marco para as relações
247 - Nesta terça-feira (18/8), em Brasília (DF), no Palácio Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), Kao Kim Hourn. Hourn realiza a visita de trabalho ao Brasil, a convite do governo brasileiro, entre os dias 17 de agosto e 21 de agosto. Esta é a primeira visita de um secretário-geral da ASEAN ao Brasil.
O Itamaraty informou mais cedo em comunicado que Vieira e Hourn passaram em revista os principais temas da agenda entre o Brasil e a ASEAN, com destaque para comércio e investimentos, energia, segurança alimentar, biodiversidade e cooperação para o desenvolvimento.
Hourn tem agendas de trabalho previstas com outros altos funcionários do governo brasileiro e representantes de setores estratégicos, incluindo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller; o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá.
No último dia 11 de agosto, Vieira recebeu a secretária do Departamento de Relações Exteriores das Filipinas, Maria Theresa P. Lazaro. As visitas demonstram o interesse mútuo entre o Brasil e os países do Sudeste Asiático em ampliar o comércio e investimentos, em um cenário global marcado pelo tarifaço unilateral imposto pelos Estados Unidos a diversos países, com impacto especialmente forte sobre setores da economia do Brasil.
No Planalto, enquanto persistem as tentativas de negociação com Washington - que, segundo interlocutores palacianos, fechou as portas para qualquer diálogo -, prevalece a avaliação de que a busca por mercados alternativos é essencial, sobretudo para apoiar os setores da economia brasileira mais fortemente afetados pelo tarifaço.
A ASEAN reúne onze países do Sudeste Asiático (Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã). O bloco representa uma das regiões economicamente mais dinâmicas do mundo. A ASEAN, cuja sede está localizada em Jacarta, é uma organização de natureza econômica e política. Seu objetivo é promover a cooperação intergovernamental e facilitar a integração econômica, política, securitária, educacional e sociocultural entre seus membros e com países parceiros.
O Brasil é o único país da América Latina com status de Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN. Em 2025, o comércio entre o Brasil e os onze países da Associação somou US$ 38,4 bilhões, o que tornou a ASEAN o quinto maior parceiro comercial brasileiro - atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul - e respondeu por 15% do superávit comercial do Brasil no período, com saldo positivo de US$ 10,3 bilhões, de acordo com o Itamaraty. O intercâmbio com a ASEAN tem crescido, em média, cerca de 15% ao ano desde 2020, ritmo muito superior ao observado com parceiros tradicionais.
Em declarações à imprensa no Itamaraty, Mauro Vieira classificou a visita de Hourn como um "marco" para as relações Brasil-ASEAN. Ele afirmou que "a visita ocorre em momento particularmente propício", destacando a intensificação das relações com a ASEAN e os países da região do Sudeste Asiático.
Vieira ressaltou que "a aproximação com a ASEAN se insere na estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de diversificação das parcerias externas". O ministro afirmou ainda que "a ASEAN é um epicentro do crescimento global e do desenvolvimento científico e tecnológico", destacando o crescimento constante do comércio e projetando que, mantido o ritmo atual, o comércio com o bloco poderá superar inclusive o volume das trocas comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia "num futuro próximo".
O chanceler destacou a satisfação do governo brasileiro em ter o Timor-Leste, país lusófono, se juntando à ASEAN, e declarou: "O Brasil aspira se tornar um Parceiro de Diálogo da ASEAN".
Além disso, afirmou que "Brasil e ASEAN podem fortalecer a cooperação Sul-Sul, promovendo investimentos para também fortalecer o Sul Global".
Por sua vez, o secretário-geral Hourn destacou o avanço constante das relações entre ASEAN e Brasil, ressaltando a visita "histórica" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula da ASEAN em outubro de 2025.
Hourn declarou que "ASEAN e Brasil são parceiros naturais", destacando o dinamismo das economias e a riqueza da biodiversidade dos países do bloco e do Brasil. O secretário-geral demonstrou o desejo de intensificar os fluxos comerciais, citando comércio, investimento, transformação digital, segurança alimentar e sustentabilidade como algumas das áreas tangíveis de cooperação com potencial para aprofundar a parceria.
Hourn também afirmou que "turismo e intercâmbios acadêmicos devem aumentar" e declarou: "Compartilhamos o compromisso com o multilateralismo e a ordem internacional baseada em regras". Ele destacou, por fim, a importância do respeito à soberania nacional.
Brasil 247
https://www.brasil247.com/sul-global/comercio-com-asean-avanca-e-pode-superar-trocas-com-eua-e-uniao-europeia-num-futuro-proximo-diz-mauro-vieira/





