Infantino olhando para Trump em evento na Trump Tower, realizado nesta sexta-feira - Foto: Mandel NGAN/AFP |
Infantino quer vender participações da Copa para investidores privados; saiba detalhes do projeto

Infantino quer vender participações da Copa para investidores privados; saiba detalhes do projeto

Presidente da Fifa estuda criar empresa para administrar a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes; projeto enfrenta forte oposição da Uefa

Por O Globo - Rio de Janeiro

A relação cada vez mais próxima entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, construída ao longo da Copa do Mundo de 2026 e marcada por polêmicas - entre elas as acusações de interferência do presidente para anular a suspensão de um jogador da seleção americana durante o torneio - ganhou um novo capítulo. Segundo o jornal The Times, Infantino estuda vender participações comerciais da Copa do Mundo a um grupo de investidores privados que inclui Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro sênior de Trump.

A proposta prevê a criação de uma empresa subsidiária da Fifa, que será responsável por administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes. O objetivo seria ampliar as receitas da entidade e atrair capital privado para as principais competições.

Em comunicado, a entidade informou que Joshua Kushner, CEO da empresa de investimentos de capital Thrive Eternal, é cotado para liderar o grupo de investidores interessado na operação. Porém, seu irmão, Jared não faz parte do grupo de investidores. Outros players importantes do mercado financeiro americano estão no projeto, como o JP Morgan, que vem atuando como assessor financeiro da Fifa e irá analisar toda proposta. A estruturação do projeto conta ainda com a participação de Greg Maffei, CEO da BANN Ventures e ex-presidente e CEO da Liberty Media, dona da Fórmula 1.

Segundo o Times, a aproximação entre Infantino e o entorno de Trump se intensificou durante o Mundial de 2026, realizado nos Estados Unidos, Canadá e México, período em que o dirigente da Fifa foi frequentemente visto ao lado do presidente americano.

A iniciativa também é apontada como um passo importante para o futuro de Infantino após o fim de seu atual mandato. O dirigente é favorito para ser reeleito em 2027 e, segundo o jornal, poderá assumir o comando da nova empresa quando deixar a presidência da Fifa, em 2031.

Conforme o comunicado publicado pela entidade nesta terça-feira, tanto o presidente da Fifa quanto a administração da Fifa "têm o dever de controlar o desenvolvimento deste projeto, com investidores externos tendo apenas uma participação minoritária - e não na Fifa, mas em uma subsidiária da Fifa".

A entidade também afirmou que a criação da companhia permitiria distribuir imediatamente US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações nacionais filiadas pelo Fifa Fast Forward Programme (FFFP). Além de aumentar as receitas dessas entidades nos próximos anos: 22 milhões de dólares no ciclo 2031/2034 e 24 milhões de dólares entre 2035 e 2038. Os recursos adicionais serão financiados por meio da captação inicial de até 4,2 bilhões de dólares prevista para a Fifa Forward Enterprise (FFE) - a base de avaliação da empresa é de aproximadamente 20 bilhões de dólares.

A aprovação do projeto, no entanto, depende da aprovação da maioria das 211 associações-membro e do Conselho da Fifa. O projeto foi apresentado por Infantino aos membros e conselheiros na véspera da final da Copa do Mundo, em um evento em Nova York. A Fifa garantiu que a participação dos investidores será sempre minoritária (entre 20% e 30% das ações). A entidade também manterá controle exclusivo sobre a FFE, como a organização das competições, o calendário internacional das partidas e todas as decisões regulatórias e esportivas.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, presidente da Fifa - Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, presidente da Fifa - Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP

A proposta, porém, provocou reação imediata da Uefa (União das Associações Europeias de Futebol). Em nota publicada nas redes sociais, a entidade europeia afirmou considerar a iniciativa "extremamente séria" e classificou a ideia como uma linha que "não deve ser ultrapassada".

- A alma e a governança do futebol não são ativos negociáveis, especialmente sem qualquer transparência sobre quem se beneficiará dos ganhos financeiros. O futebol não pertence a ninguém; não cabe à Fifa vendê-lo - afirmou a Uefa.

A notícia não foi bem digerida pelos países europeus. Segundo a emissora inglesa Sky Sports, as confederações associadas à Uefa debatem o possível boicote à Copa do Mundo de 2030, que acontecerá na Espanha, Portugal e Marrocos. Uma reunião virtual deve acontecer ainda esta semana para definir a estratégia contra a criação da empresa que comercializaria ações junto a investidores privados.

Caso avance, o projeto representará uma das maiores mudanças já propostas na estrutura comercial da principal competição do futebol mundial, ao abrir espaço para a participação direta de investidores privados na administração dos ativos ligados à Copa do Mundo.

O Globo
https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/07/28/infantino-quer-vender-participacoes-da-copa-para-familiar-de-trump-e-outros-investidores-privados-diz-jornal.ghtml