No terceiro trimestre, o número de ofertas iniciais de ações foi mais fraco do que se esperava Foto: JHVEPhoto/Adobe Stock - 21/08/2022 |
Empresas adiam ofertas iniciais de ações nos EUA

Empresas adiam ofertas iniciais de ações nos EUA

Movimento acende sinal amarelo para companhias brasileiras e para IPOs na B3


Por Altamiro Silva Junior (Broadcast)

Poucas horas antes de definir o preço de venda de suas ações na noite de terça-feira, 29, a Oura, fabricante de um anel inteligente que monitora o sono, fundada na Finlândia, resolveu adiar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) que poderia movimentar US$ 2,2 bilhões na Nasdaq. E ela não foi a única a tomar a decisão. Nas últimas duas semanas, já são quatro companhias adiando estreias nas bolsas americanas, o que, na visão de analistas, pode ser um sinal de investidores mais seletivos e uma luz amarela para companhias brasileiras querendo lançar ações.

Temor de futuras altas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), a elevação das taxas de 10 anos dos títulos do tesouro americano, para as máximas em 19 anos, e renovadas preocupações sobre a sustentabilidade dos gastos com inteligência artificial estão entre os fatores que estão pesando negativamente no mercador de ações, de acordo com a Renaissance Capital, especializada em monitorar o mercado de IPOs.

"Parece que a janela de IPO está ficando mais estreita", comenta a diretora de estratégias de investimento da Renaissance, Avery Marquez, ao analisar os adiamentos. Além da Oura, a fabricante de componentes nucleares Holtec Nuclear adiou seu IPO na semana passada. No dia 22, a Bamboo Insurance, de serviços financeiros, também colocou na gaveta seu IPO, citando condições desfavoráveis do mercado. "Três companhias muito diferentes, todas decidindo não testar o mercado, é um sinal de que os investidores estão ficando mais seletivos."

Apetite dos investidores está mudando

Outra a adiar a oferta, na semana passada, é a Amaero, uma produtora americana de pós metálicos refratários e de ligas de titânio. A oferta de US$ 52 milhões foi adiada com a companhia também citando condições difíceis de mercado. Na visão dos estrategistas da consultoria inglesa TS Lombard, o apetite por risco dos investidores está mudando em meio ao aumento da preocupação com uma crise fiscal nos EUA, os preços do petróleo se mantendo elevados, uma proporção crescente de bancos centrais aumentando os juros e as expectativas mais conservadoras de lucros para as empresas.

O ano vinha se desenhando como um período forte de IPOS nos EUA, com grandes operações como a da SpaceX, que captou mais de US$ 75 bilhões em junho na maior oferta da história. No terceiro trimestre, porém, a Renaissance Capital observa que o movimento foi mais fraco do que se esperava. Ao todo, sete empresas decidiram postergar ofertas nos EUA de julho a setembro, ante quatro no segundo trimestre e três no primeiro.

Para o diretor de um banco de investimento da Faria Lima, os adiamentos nos EUA são uma luz amarela não só para empresas que querem lançar ações em Nova York, mas para a expectativa de recuperação das ofertas na B3 após as eleições, já que muitos compradores de ações são fundos americanos. Na B3, este ano, só houve um IPO, da Compass, isso após quase cinco anos sem nenhuma oferta. Entre os nomes do Brasil comentados pelo mercado para fazer um IPO nos EUA está a bandeira de cartões Elo, que poderia fazer uma oferta na casa dos R$ 3 bilhões, inicialmente prevista para acontecer em 2026, de acordo com fontes, mas que deve escorregar para 2027.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 30/09/2026, às 16:12

Estadão
https://www.estadao.com.br/economia/coluna-da-broad/empresas-adiam-ofertas-iniciais-de-acoes-nos-eua/