Petistas avaliam que discurso ambientalista da ministra enfrentará resistências junto ao agronegócio
Por Cristiane Agostine - De São Paulo
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), enfrenta resistência de parte do PT para disputar o Senado em São Paulo. Marina tem expressado seu desejo de concorrer a uma cadeira de senadora, mas lideranças nacionais e estaduais petistas questionam a viabilidade eleitoral da ministra no Estado, sobretudo no interior, e defendem lançar um nome com perfil de centro, que dialogue com prefeitos e empresários, e faça um discurso de confronto com o governador do Estado e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Para a vaga ao Senado, petistas têm defendido um nome como o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A ideia foi reforçada publicamente (ver acima) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (19). Alckmin foi governador do Estado por quatro mandatos, quando estava filiado ao PSDB.
No cenário avaliado por dirigentes do PT, Marina é cotada para ficar com a vice na chapa liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que lançou na quinta-feira (19) sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. A ministra poderia atrair o voto de mulheres e melhorar o diálogo com evangélicos, além de trazer a bandeira ambiental e da sustentabilidade para a campanha de Haddad.
Marina, no entanto, insiste em disputar o Senado e resiste a ser vice, segundo aliados da ministra.
A falta de definição sobre qual vaga Marina ocupará na chapa de Haddad - e se ocupará uma vaga - tem afetado diretamente as negociações da ministra para mudar de partido. Apesar de ter fundado o Rede Sustentabilidade, Marina enfrenta problemas dentro da legenda e avalia migrar para outra legenda. Segundo aliados da ministra, ela já recebeu propostas de filiação de seis partidos, entre eles o PT, Psol e PSB, e a escolha do novo partido deve ser feita em conjunto com Haddad e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para contemplar os partidos aliados na chapa.
Do lado da direita, os dois nomes ao Senado devem ter forte vínculo com a família Bolsonaro. Um dos candidatos a senador é o deputado e ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (PP, ex-PL). O outro nome será definido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e deve ser "ideológico", segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Nesse contexto, o presidente afirmou na quinta-feira que apesar de gostar de Alckmin como vice, ele poderá ajudar mais se concorrer ao Senado por São Paulo.
Desde 2010, a esquerda não elege um senador em São Paulo e o campo progressista enfrenta forte resistência no interior, com eleitorado conservador. O PT nunca ganhou a disputa pelo governo paulista e só foi para o segundo turno duas vezes, em 2002, com José Genoino, e 2022, com Haddad.
O discurso ambientalista de Marina, na avaliação de petistas, enfrentará forte resistência do agronegócio, com força no interior paulista, e deve dificultar a conquista pela vaga no Senado.
Em 2022, Marina também foi cotada para ser vice de Haddad na disputa pelo governo de São Paulo, mas optou por concorrer à Câmara dos Deputados e elegeu-se com 237,5 mil votos, a 12ª maior votação do Estado para deputado federal. Na vice ficou Lúcia França (PSB), esposa do ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).
Nas costuras feitas pelo PT com os partidos aliados em São Paulo, o PSB deve ficar com uma das vagas ao Senado na chapa de Haddad, caso se concretize a filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), que já anunciou que concorrerá a senadora, a pedido de Lula, e que mudará o domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo.
Tesoureiro nacional do PSB, o ministro Márcio França também articula-se para disputar a eleição ao Senado ou para ser vice de Haddad. Com isso, o PSB já ficaria com duas das quatro vagas da chapa (candidato ao governo, vice e duas ao Senado), o que pode inviabilizar a filiação de Marina ao PSB, caso a ministra fique com alguma dessas vagas.
O PT, que está federado com o PV e PCdoB, convidou Marina para regressar. A ministra ajudou a fundar o partido e deixou a sigla em 2009, depois de quase 30 anos filiada. Então petista, Marina foi eleita senadora em 1994 pelo Acre e ficou no Senado até 2011.
Procurada para falar sobre seus planos eleitorais, Marina não respondeu até a publicação desta reportagem.
Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/03/20/pt-resiste-a-marina-na-disputa-ao-senado.ghtml
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), enfrenta resistência de parte do PT para disputar o Senado em São Paulo. Marina tem expressado seu desejo de concorrer a uma cadeira de senadora, mas lideranças nacionais e estaduais petistas questionam a viabilidade eleitoral da ministra no Estado, sobretudo no interior, e defendem lançar um nome com perfil de centro, que dialogue com prefeitos e empresários, e faça um discurso de confronto com o governador do Estado e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Para a vaga ao Senado, petistas têm defendido um nome como o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A ideia foi reforçada publicamente (ver acima) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (19). Alckmin foi governador do Estado por quatro mandatos, quando estava filiado ao PSDB.
No cenário avaliado por dirigentes do PT, Marina é cotada para ficar com a vice na chapa liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que lançou na quinta-feira (19) sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. A ministra poderia atrair o voto de mulheres e melhorar o diálogo com evangélicos, além de trazer a bandeira ambiental e da sustentabilidade para a campanha de Haddad.
Marina, no entanto, insiste em disputar o Senado e resiste a ser vice, segundo aliados da ministra.
A falta de definição sobre qual vaga Marina ocupará na chapa de Haddad - e se ocupará uma vaga - tem afetado diretamente as negociações da ministra para mudar de partido. Apesar de ter fundado o Rede Sustentabilidade, Marina enfrenta problemas dentro da legenda e avalia migrar para outra legenda. Segundo aliados da ministra, ela já recebeu propostas de filiação de seis partidos, entre eles o PT, Psol e PSB, e a escolha do novo partido deve ser feita em conjunto com Haddad e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para contemplar os partidos aliados na chapa.
PT e Lula buscam nomes mais ao centro
O PT e Lula têm buscado nomes mais ao centro para concorrer ao Senado em São Paulo, para tentar conquistar uma ou duas cadeiras nesta eleição. A ideia é disputar parte do eleitorado que costumava votar no PSDB no Estado e que ainda resiste a aderir ao bolsonarismo.Do lado da direita, os dois nomes ao Senado devem ter forte vínculo com a família Bolsonaro. Um dos candidatos a senador é o deputado e ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (PP, ex-PL). O outro nome será definido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e deve ser "ideológico", segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Nesse contexto, o presidente afirmou na quinta-feira que apesar de gostar de Alckmin como vice, ele poderá ajudar mais se concorrer ao Senado por São Paulo.
Desde 2010, a esquerda não elege um senador em São Paulo e o campo progressista enfrenta forte resistência no interior, com eleitorado conservador. O PT nunca ganhou a disputa pelo governo paulista e só foi para o segundo turno duas vezes, em 2002, com José Genoino, e 2022, com Haddad.
O discurso ambientalista de Marina, na avaliação de petistas, enfrentará forte resistência do agronegócio, com força no interior paulista, e deve dificultar a conquista pela vaga no Senado.
Em 2022, Marina também foi cotada para ser vice de Haddad na disputa pelo governo de São Paulo, mas optou por concorrer à Câmara dos Deputados e elegeu-se com 237,5 mil votos, a 12ª maior votação do Estado para deputado federal. Na vice ficou Lúcia França (PSB), esposa do ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).
Nas costuras feitas pelo PT com os partidos aliados em São Paulo, o PSB deve ficar com uma das vagas ao Senado na chapa de Haddad, caso se concretize a filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), que já anunciou que concorrerá a senadora, a pedido de Lula, e que mudará o domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo.
Tesoureiro nacional do PSB, o ministro Márcio França também articula-se para disputar a eleição ao Senado ou para ser vice de Haddad. Com isso, o PSB já ficaria com duas das quatro vagas da chapa (candidato ao governo, vice e duas ao Senado), o que pode inviabilizar a filiação de Marina ao PSB, caso a ministra fique com alguma dessas vagas.
Psol pressiona por espaço
O Psol, partido que está federado com o Rede Sustentabilidade, pressiona por espaço na chapa e tenta filiar Marina, sobretudo se a ministra for escolhida para a vice de Haddad.O PT, que está federado com o PV e PCdoB, convidou Marina para regressar. A ministra ajudou a fundar o partido e deixou a sigla em 2009, depois de quase 30 anos filiada. Então petista, Marina foi eleita senadora em 1994 pelo Acre e ficou no Senado até 2011.
Procurada para falar sobre seus planos eleitorais, Marina não respondeu até a publicação desta reportagem.
Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/03/20/pt-resiste-a-marina-na-disputa-ao-senado.ghtml





