Senador Sergio Moro e ex-deputado Rodrigo Maia debateram quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS em grupo de WhatsApp
Igor Gadelha
A aprovação da quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela CPMI do INSS provocou um debate entre o senador Sergio Moro (União-AP) e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia em um grupo de WhatsApp.
O debate entre os dois aconteceu no grupo intitulado "Parlatório". O colegiado foi criado pelo jornalista Carlos Marques, diretor editorial da revista IstoÉ e ligado ao Lide, grupo empresarial fundado por João Doria.
Segundo material ao qual a coluna teve acesso, Maia argumentou no grupo que a atitude do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), na contagem dos votos da quebra de sigilo cria um "precedente ruim".
"Acompanhei a votação. Um absurdo a forma como aprovaram o requerimento. No requerimento anterior, o governo ganhou de 18×12. No simbólico, o relator desrespeitou a maioria formada pelo governo. Precedente ruim para qualquer um", escreveu Maia.
O requerimento de quebra de sigilo foi aprovado em uma votação simbólica, ou seja, sem contagem nominal de votos. Viana anunciou a aprovação após contar apenas os votos contrários ao requerimento.
Integrantes da tropa governista acusam o presidente da CPMI de "fraude". O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), por exemplo, diz que, pela sua contagem, o requerimento teria sido derrotado por 14 votos a 7.
O que dissse Moro
Também integrante do grupo Parlatório, Moro reagiu e saiu em defesa do presidente da comissão. Nas mensagens, o ex-juiz da Lava Jato defendeu que Carlos Viana estava certo na conduta durante a votação."Pelo que me informaram, na votação simbólica, só consideram os votos dos titulares, então o procedimento do Senador Carlos Viana teria amparo regimental. Mas não aprofundei a questão. (.) Como disse, não aprofundei, só ressalvo que o Viana tem uma base para ter decidido da forma que decidiu", disse o ex-juiz.
Maia então, reiterou a avaliação de que Viana errou. Disse ainda não ter entendido o fato de a CPI do Crime Organizado ter convocado Paulo Guedes e de Roberto Campos Neto, enquanto apenas convidou ministros de Lula.
"Deputado, não ouso discutir regimento com quem já foi presidente da Câmara, só pontuei que a decisão dele teria uma base segundo me informaram. Votei contra a convocação do Campos Neto e do Paulo Guedes que não tem qualquer relação com o escândalo do Master ou com o crime organizado, mas fui vencido e aceitei o resultado apesar de lamentá-lo", respondeu Moro.
O ex-presidente da Câmara, então, retruca e diz não se tratar apenas de uma questão regimental. "É mais respeito ao resultado do requerimento anterior que mostrou maioria do governo na CPMI", disse.
"Tranquilo, respeito seus argumentos, vamos acompanhar. Pelo menos, os fatos serão melhor esclarecidos na CPMI do INSS", responde Moro.
Metrópoles
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