Por Thomas Traumann - Rio de Janeiro
Oi, na newsletter de hoje trago uma pesquisa inédita sobre os eleitores que não gostam nem de Lula, nem de Bolsonaro. Os nem-nem são 29% dos brasileiros, concordam com teses da esquerda, como taxar mais os ricos, e da direita, como a de sua vida não melhorou nos governos petistas. Ao mesmo tempo, a maioria dos nem-nem concorda com a frase "todos os políticos são corruptos" e um terço não pretende ir votar. Lula e Flávio Bolsonaro terão trabalho.
Também mostro como Michele Bolsonaro se tornou a pedra no sapato deste início de campanha de Flávio e trago uma resenha do livro do jornalista David Remnick sobre personalidades da música.
- Os independentes no divã
- Ao vencedor, as bananas
- Já é 5x2 na cabeça do eleitor
- Todo voo conta
- Crítica: 'Sustentar a Nota'
- Fique atento
1. Os independentes no divã
Com uma campanha rapidamente polarizada entre as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, a disputa vai se reduzir a como conquistar os independentes, o grupo de 29% dos brasileiros que se dizem nem lulistas, nem bolsonaristas. Uma extensa pesquisa inédita da Genial/Quaest mostra que existem independentes mais conservadores e mais progressistas, porém que a maioria dos nem-nem está no espectro da centro direita.
A pesquisa parte de 27 perguntas sobre valores e posições ideológicas dos cinco núcleos: lulistas (20% do eleitorado); esquerda não-lulista (15%); independentes (29%); direita não-bolsonarista (22%) e bolsonaristas (13%). A primeira conclusão é que os não-bolsonaristas e os bolsonaristas concordam em quase tudo, o que explica a rápida ascensão de Flávio nas pesquisas assim que foi escolhido herdeiro de Jair Bolsonaro.
A segunda é que a esquerda não-lulista tem posições à esquerda dos lulistas, o que comprova como o presidente é maior que o PT e consegue avançar sobre parte do eleitorado conservador.
Os independentes estão na encruzilhada. Na média, são mais mulheres do que homens, têm mais de 30 anos, vivem no Sudeste e se declaram pardos e católicos. Como poderia se esperar de um agrupamento que não se identifica com as duas maiores facções políticas, os nem-nem são diversos, flexíveis em suas opiniões e, às vezes, contraditórios. Compare como os independentes se posicionaram na pesquisa, feita com 2.004 eleitores em 5 de outubro:
Pontos em que os independentes concordam mais com lulistas e esquerda
Isenção de Imposto de Renda até R$5 mil
- Aumentar imposto dos mais ricos
- Fim da escala 6x1
- Manter Bolsa Família
- Contra facilitar a posse de arma
- Contra proibir casamentos gays
Pontos que os independentes concordam com bolsonaristas e direita
- Acha que os auxílios fazem as pessoas trabalharem menos
- Defende liberdade de expressão absoluta
- Não acredita que sua vida melhorou nos governos do PT
- A favor de privatizações
- A favor de classificar facções como terroristas
- Contra debater sexualidade na escola
- Acha ruim ver casais gays se beijando
De acordo com a pesquisa, os independentes ficam no meio do caminho em temas que separam diametralmente lulistas e bolsonaristas: o impeachment de Alexandre de Moraes, a confiabilidade das urnas eletrônicas e as cotas para negros nas universidades.
"Rotular um eleitor é um trabalho complexo. Alguém pode ser conservador em um tema, por exemplo na questão do aborto, e progressista em outro, como o casamento gay. Por isso, usamos um método estatístico que analisa o conjunto de respostas sobre valores e visões de mundo de cada um dos cinco grupos e criamos um escore ideológico. Assim, podemos ver as pessoas posicionadas ideologicamente por suas opiniões e valores e não como se declaram", explica Felipe Nunes, CEO da Quaest.
Quando esse escore ideológico é montado, afirma Nunes, "salta aos olhos o fato de que a maior parte dos independentes se concentra próximo às posições da centro direita".
A conclusão não é necessariamente uma boa notícia para a candidatura de Flávio Bolsonaro, que é tão rejeitada quanto a de Lula. Na pesquisa Genial/Quaest de fevereiro, 64% dos eleitores autodeclarados independentes rejeitaram tanto votar em Lula quanto em Flávio Bolsonaro, 9 pontos percentuais acima da média nacional.
A questão é mais profunda e sugere um ambiente de antipolítica entre os que rejeitam Lula e a família Bolsonaro. Os independentes são o grupo que mais concorda com a frase "todos os candidatos são corruptos" . Na pesquisa de fevereiro, 30% disseram que não pretendem votar com as opções de primeiro turno. No segundo turno, esse número sobe para 38%.
O desafio de Lula e Flávio Bolsonaro não será apenas de ser ouvido pelo eleitor nem-nem. Há pontos de convergência dos dois lados com os independentes. O crucial será fazê-lo acreditar que a eleição vale o esforço, mesmo quando ele não gosta das duas opções.
2. Ao vencedor, as bananas
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro - Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
No sábado (21), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postou no Instagram a banana frita que levou para o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso há três meses condenado por tentativa de golpe de Estado. O post aparentemente inocente foi lido como resposta às críticas do enteado Eduardo Bolsonaro pela falta de empenho de Michelle com a campanha de Flávio. Desde o governo do pai, Eduardo é conhecido como "bananinha".
"Eu, pelo menos, não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas (Ferreira) a toda hora. Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê um lado a lado, compartilha o outro e se apoia na rede social. Estão com amnésia, talvez, não sei por qual motivo", reclamou Eduardo ao SBT News.
A campanha presidencial de Flávio vive um paradoxo. Em poucas semanas, ele se consolidou como a cara do antipetismo e sufocou, ao menos por enquanto, o surgimento de um terceiro nome. Dito isso, a sua campanha será dura. Sem o carisma do pai, Flávio depende de cinco pessoas para se viabilizar. A mais importante, de Jair, ele já tem. O segundo apoio, Tarcísio de Freitas, está no seu barco, embora remando sem entusiasmo. O terceiro nome, o deputado Nikolas Ferreira, tem uma agenda própria que inclui Flávio, mas nunca como protagonista. A quarta sustentação necessária para Flávio é a do pastor Silas Malafaia, magoado por ter sido ignorado na escolha do candidato.
A aprovação mais complexa hoje parece ser a última, de Michelle. Quando pressionada a fazer campanha pelo enteado, ela escreveu "existe um tempo para cada coisa". Desde que Flávio foi escolhido candidato, Michelle se afastou da presidência do PL Mulher alegando ter de cuidar do marido preso. Pressionada pela militância bolsonarista, Michelle respondeu na sua conta no Instagram. "Para quem anda se doendo demais: este perfil é privado e a escolha dos vídeos é minha. Fiquem à vontade para sair".
Os filhos de Jair Bolsonaro queriam um papel recatado e do lar para a madrasta. Não devem conseguir. A independência de Michelle é proporcional à fragilidade de Flávio. Evangélica, carismática e popular, Michelle ocupa um papel para além do bolsonarismo típico. Em janeiro, enquanto os enteados combinavam uma viagem a Israel e Bahrein, ela teve audiência com o arqui-inimigo da família, o ministro do STF Alexandre de Moraes. Relatou os problemas de saúde do marido na cela da Superintendência da Polícia Federal e conseguiu que ele fosse transferido para a penitenciária da Papudinha. Agora, enquanto Flávio viaja para os Estados Unidos, Michelle e o governador Tarcísio seguem em contato com o STF. Se Jair Bolsonaro for transferido para prisão domiciliar nas próximas semanas, será pela ação dos dois.
À articulação discreta no STF se sobrepõe uma ação política de confronto. Em dezembro, Michelle atacou publicamente as articulações de Flávio por um acordo no Ceará em favor de Ciro Gomes. Em Santa Catarina, contrariando as negociações de Flávio por um acordo pela reeleição do senador Esperidião Amin, ela fez postagens de apoio à candidatura da deputada Carol De Toni. Resultado: Amin foi abandonado e Carol de Toni será candidata ao Senado. Neste fim de semana, ela ganhou mais uma. O PL terá a deputada Bia Kicis como candidata a senadora e não o governador Ibaneis Rocha, como pretendia a cúpula do PL.
Quando aparecia como pré-candidata a presidente, pontuava melhor que os enteados. Em dezembro, quando 54% dos brasileiros disseram à Genial/Quaest que Jair havia errado em escolher o filho mais velho, Michelle era a opção de 19%.
3. Já é 5x2 na cabeça do eleitor
Uma pesquisa qualitativa com eleitores de Lula, Bolsonaro e independentes de oito cidades diferentes das regiões Sudeste, Sul e Nordeste mostra que a proposta do fim da escala de trabalho 6x1 é das últimas unanimidades do país. A redução da jornada é apoiada, independentemente de posição política, religião ou gênero. "São frequentes as queixas de pessoas que gastam seus dias trabalhando e no transporte, sem tempo para si mesmas ou para suas famílias. Poder folgar dois dias por semana é visto como um ganho de dignidade que todos reconhecem", diz o psicólogo Eduardo Sincofsky, condutor da pesquisa e diretor do Projeto Plaza Publica.
O Congresso deve votar entre abril e junho um projeto do governo Lula para reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas sem redução de salário e considerar que sábados e domingos são dias de folga com pagamento de hora extra em dobro. Entidades patronais da indústria e comércio são contra a proposta, alegando aumento de custos que serão repassados para o consumidor.
Assim como todos os entrevistados defenderam o projeto, é consenso que haverá consequências. Os eleitores de Bolsonaro foram mais vocais nos efeitos da nova jornada para o pequeno comércio, com os lulistas ressaltando que as maiores empresas têm condições de incorporar os novos custos.
Para Sincofsky, os entrevistados acreditam em uma lógica de compensação, onde os ganhos de qualidade de vida dos trabalhadores são considerados maiores do que o eventual fechamento do pequeno comércio nos fins de semana.
"A escala 6x1 é ruim para quem precisa pegar ônibus, ir para o trabalho, descansar. Você não tem tempo para você. Eu sei que a corda vai estourar em algum lado. Shopping, por exemplo, vai ter que contratar mais gente. E assim, vai acabar fechando algumas coisas", disse um eleitor indeciso.
"Vai ter aumento de custo, isso vai ser repassado para o consumidor. Só que ao mesmo tempo você tem mais qualidade de vida, então uma coisa pode compensar a outra", disse uma eleitora indecisa.
A pesquisa da Plaza Pública reforça sondagens quantitativas que mostram a popularidade do projeto, a principal bandeira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro, a Genial/Quaest mostrou que 72% apoiavam a redução da jornada de trabalho.
Diante de tal maioria, a oposição verá a repetição da armadilha que o governo fez no ano passado com a isenção do Imposto de Renda: embora os bolsonaristas fossem contra a proposta, na hora da votação eles não tiveram a coragem de se opor. É possível que o mesmo aconteça com a votação da redução da jornada de trabalho.
4. Cada voto conta
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Eleitor vota em sessão eleitoral em 2022 - Foto: Custodio Coimbra
Cálculos feitos pelo analista político José Dezene com base nos dados do TSE mostram que desde 2014 tem aumentado no Nordeste os votos válidos, ou seja, excluídos os brancos, nulos e abstenções. Nas últimas três eleições gerais, os votos efetivos no Nordeste - região majoritariamente pró-Lula - passam de 72%, tanto no primeiro, quanto no segundo turno, acima do aproveitamento dos votos no Sudeste e no Centro-Oeste, regiões historicamente antipetistas. Em 2014, o Sudeste descartou 65% mais votos que o Nordeste. Em 2022, esse índice foi de 71%.
Em números absolutos, 9,8 milhões de nordestinos se abstiveram ou votaram branco ou nulo no segundo turno de 2022. No Sudeste, 16,8 milhões de eleitores descartaram seus votos. No Sul, 4,8 milhões; no Norte, 3,2 milhões e no Centro-Oeste, 2,7 milhões.
A abstenção é um dos aspectos menos estudados no sistema eleitoral brasileiro. Embora o voto seja obrigatório, dá-se de barato que um em cada cinco eleitores não irá votar. O que mostram os números analisados por Dezene ao somar a abstenção com brancos e nulos é que existe uma tendência de melhora na efetividade dos votos no Nordeste.
Para recordar: Lula foi eleito presidente com uma vantagem de apenas 2,1 milhões de votos. "Em uma nova disputa que pode repetir o clima de cara-ou-coroa de Lula versus Bolsonaro de 2022, todo dado importa, toda variação pode ser decisiva", diz Dezene.
5. Crítica: 'Sustentar a Nota'
Se a literatura procriasse com o jornalismo, um de seus filhos seria o perfil, o ensaio biográfico que tenta capturar num momento o que uma vida inteira derrama pelo chão. Nelson Rodrigues fazia isso com seus craques do Maracanã, e os norte-americanos levaram o ensaio jornalístico à fronteira cinzenta do que é apenas o registro factual de um tempo e o que é o zeitgeist, o espírito desse tempo. Diretor de uma das últimas revistas que publica esses ensaios regularmente, a "New Yorker", o americano David Remnick, de 67 anos, é o herdeiro de uma arte em extinção.
Em seu novo livro "Sustentar a Nota" (Companhia das Letras, 336 páginas, livro: R$ 91,98; e-book: R$ 44,90), Remnick traz onze perfis do mundo da música. Aos 74 anos e 16 prêmios Grammys na prateleira, Aretha Franklin seguia exigindo receber seu cachê antes de entrar no palco, herança das incontáveis trapaças já sofridas. Também passado dos 70, Paul McCartney seguia preocupado sobre quanto o público lhe culpava pelo fim dos Beatles. Multimilionário e repetindo seus versos de protesto, Bruce Springsteen confessa que só canta para responder ao pai tirânico.
Como um médico forense, Remnick rasga seus perfilados para mostrá-los humanos. Os Rollings Stones, ele afirma, não produzem uma grande música desde os 1970. Passados dos 80 anos, Leonard Cohen ainda precisava trabalhar para pagar suas contas. Tenor mais popular da história, Luciano Pavarotti tremia diante da apresentação mais simples.
Aficionado pelo blues, o soul e Bob Dylan, Remnick compara nossa relação com a música com as memórias fundamentais. Ele escreve:
"Para resgatar as memórias e sensações do passado, Proust recorreu ao sabor de madeleines embebidas em chá de tília. O restante da humanidade recorre às canções. Canções são carregadas de emoção e, como são breves, nós lembramos delas inteiras: a melodia, o refrão que nos captura, a letra, onde estávamos, que sentimos na ocasião. E elas adesivam emoções, sobretudo quando as encontramos na juventude".
"Sustentar a Nota" conduz o leitor com um guia de memórias de um século 20 que está acabando. O blues morre com Buddy Guy, a ópera com Pavarotti, o rock com Keith Richards e um certo tipo de jornalismo com David Remnick.
6. Fique atento
Estava com saudades de Donald Trump? A briga dele com a Suprema Corte pela imposição de tarifas comerciais vai dominar a semana. Derrotado na Justiça, Trump anunciou no sábado (21) uma tarifa única de 15% com base em artigo de uma lei de 1974 que nunca havia sido usado antes e que permite taxações temporárias por cinco meses antes de uma votação no Congresso.
Nesta segunda-feira, o presidente Lula desembarca na Coreia do Sul, onde negocia com o presidente Lee Jae Myung a abertura do mercado de carne bovina. Antes de voltar ao Brasil, Lula fará uma parada técnica nos Emirados Árabes Unidos, para se encontrar com o xeque Mohammed bin Zayed al-Nahyan.
Fora das TVs comerciais, o apresentador José Luiz Datena estreia nesta segunda-feira na empresa estatal Rádio Nacional, entrevistando o seu antigo adversário na campanha para prefeito de São Paulo e agora ministro Guilherme Boulos.
Todas as suas dúvidas sobre o que acontecia no Cine Trancoso seguirão sem resposta. Com a proibição de viajar com seu jatinho particular, Daniel Vorcaro cancelou sua participação na sessão da CPI do INSS, na segunda-feira, e da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, na terça.
Com a liberação dos dados de Vorcaro pelo STF, os parlamentares da CPMI do INSS correrão para ter acesso aos dados dos sigilos do Master e dos políticos da bancada de Daniel Vorcaro. É certo como o sol que trechos do material sigiloso serão vazados pelos parlamentares.
Escolhido novamente relator do projeto de lei Antifacção, o deputado Guilherme Derrite (PP) vai jogar fora as mudanças do Senado e retomar as ideias originais do seu texto que reduzem a autonomia da Polícia Federal.
O STF julga na terça-feira (24) os cinco réus acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.
Na quarta-feira (25), o pleno do STF começa a analisar as decisões do ministro Flávio Dino que bloquearam o pagamento de supersalários em todos os Poderes. A pressão de colegas do Judiciário sobre os ministros será imensa.
O mundo político corre para influenciar o Tribunal Superior Eleitoral no julgamento marcado para o dia 10, que pode cassar o governador do Rio, Claudio Castro. Como Castro não tem um vice e o presidente da Assembleia é investigado por ligação com o Comando Vermelho, há um vácuo legal que pode deixar o Estado do Rio mais ingovernável do que já é.
Termina nesta semana o prazo para o governo do Distrito Federal resolver o buraco de R$ 5 bilhões do BRB pelas operações fraudulentas com o Master. A bancada do Distrito Federal trabalha pesado para fazer com que a Caixa assuma parte do problema.
Enquanto Flávio Bolsonaro viaja mais uma vez para o exterior, agora para os EUA, o deputado Nikolas Ferreira organiza um protesto em São Paulo contra Dias Toffoli e Alexandre de Moraes para o domingo, dia 1º de março.
O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/thomas-traumann/coluna/2026/02/o-que-quer-os-que-nao-querem-nem-lula-nem-bolsonaro.ghtml





