Quando os britânicos olham para uma moeda e dizem, está colapsando, é porque está colapsando. É o que alerta recente reportagem de capa da revista The Economist. Acompanhe um resumo a seguir:
Isso porque foram eles, os britânicos, que inventaram o poder hegemônico usando o sistema financeiro internacional para colonizar sem uso de ocupação militar.
Foi esse sistema que os Estados Unidos herdaram e sofisticaram com o dólar, primeiro lastreado no ouro, já que o país ficou com quase todo o estoque da Europa após a Segunda Grande Guerra. Mas a quantidade era pouca para as ambições infinitas dos EUA.
Então na década de 1970 os norte-americanos romperam o lastro no ouro e o atrelaram aos títulos da dívida pública dos EUA, que hoje já bate nos 39 trilhões de dólares, mais de 200 trilhões de reais. Isso é claramente a maior bolha financeira do mundo, e está à beira de explodir.
No modelo adotado, os países comprariam a dívida dando crédito para os EUA consumirem seus produtos exportados, e fariam toda a transação usando o dólar; isso faria retornar parte do custo da transação para os EUA, embora este acabasse sempre ficando com déficit para manter a máquina global inflando em dívidas eternas.
Ou seja, os EUA consomem praticamente de graça, não há retorno para o resto do mundo; por isso, o país é chamado de centro do poder, já que concentra a riqueza do mundo de forma contínua. Só que esse sistema tem limites, assim como teve a libra esterlina - um dos motivos da ruína do poder hegemônico do império britânico.
Esse sistema gera uma dívida cada vez maior, e para manter os países sob coerção, os EUA acabaram usando o dólar e o sistema financeiro como arma colonialista. Mas, em algum momento, esse movimento perdeu a mão. Agora, a segurança e custo benefício de usar o dólar e deter títulos da dívida americana, assim como exportar para eles, foi destruída pelos próprios norte-americanos.
Esse processo vem da mudança da ordem global para o multilateralismo pleno, ou seja, o mundo multipolar. Com isso, não é mais possível manter o dólar como centralizador global - uma das causas do problema que atrasou o desenvolvimento internacional.
A China está emergindo como concorrente nesse momento, inclusive lançando há poucas semanas sua moeda de reserva internacional, o Renminbi.
Diante das instabilidades do governo dos EUA, sua administração está atraindo as atenções porque apresenta ao mundo soluções que não passam pela confiança, pois são soluções com lastros invioláveis, dissuasórios.
A postura da China, ao manter as leis internacionais como princípio inviolável, conta cada vez mais, já que os EUA abandonaram as leis vigentes e agora usam a "lei do mais forte".
Estamos assistindo ao vivo e a cores o fim de um império, ou então, estamos vendo o fim do sistema imperialista que sustenta o capitalismo do fim do mundo. Esse mesmo que gerou o colapso climático.
Essa herança maldita só gerou colapsos e rupturas, não trouxe segurança nem bem estar para a humanidade. Poucos privilegiados viveram o verdadeiro "American Dream".
Agora o mundo vai entender o que essa ruptura causará para quem ainda está apegado nela. Um "American Nightmare".
Tradução de Bruno Brezenski.





