XP avalia que as opções da Enel estão cada vez mais restritas e que o desinvestimento tende a ser a alternativa provável
Felipe Moreira
À medida que a temperatura continua a subir entre a Enel, a sociedade, os governos locais e o governo federal, a XP Investimentos avalia que a pressão sobre a companhia não é apenas social, mas também política.
Com deterioração relevante na percepção de qualidade por parte dos consumidores, mensurada por indicadores como DEC/FEC e NPS da concessão (IASC), a companhia corre o risco de ter os processos de renovação em São Paulo e no Ceará revogados. Esse cenário poderia acelerar um cronograma de desinvestimento como alternativa para maximizar a geração de caixa.
O custo de permanecer versus o custo de sair
Nesse contexto, a XP entende que as opções da Enel estão cada vez mais restritas e que o desinvestimento tende a ser a alternativa mais provável, à semelhança do que ocorreu com a CELG.Partindo da premissa de que a venda é praticamente inevitável, a questão central passa a ser como maximizar o valor dos ativos. A Enel SP é vista como a joia da coroa, Ceará como ativo potencialmente atrativo e Rio de Janeiro como operação com menor apelo. O relatório busca avaliar como a companhia poderia estruturar o portfólio para extrair maior valor.
Potencial transformacional para compradores
Considerando os ativos em um cenário "as is" ("como está"), a XP estima EV (Valor da Firma) total das distribuidoras em torno de R$ 40 bilhões, equivalente a 1,0 vez EV/RAB (Valor da Firma sobre Base de Ativos Regulatória) em 2026.Em um cenário alternativo, com melhorias operacionais e compressão do custo de capital, o valor poderia alcançar R$ 64 bilhões em EV, ou 1,6 vez EV/RAB em 2026, implicando potencial adicional de criação de valor de R$ 24 bilhões.
Os VPLs (valor presente líquido) estimados variam de 6% a 36% do valor de mercado das empresas, a depender dos preços de aquisição.
Potenciais compradores e capacidade de balanço
Entre as empresas listadas sob cobertura da XP Investimentos, Equatorial Energia (EQTL3), CPFL Energia (CPFE3), Energisa (ENGI11) e Copel (CPLE3) são vistas como candidatas naturais aos ativos.Com exceção da Copel, a XP avalia que as demais poderiam realizar uma aquisição 100% em caixa da Enel SP até múltiplos entre 1,4 vez e 1,5 vez EV/RAB.
Segundo relatório, apenas a CPFL Energia teria espaço para ir além desse patamar sem necessidade de aumento de capital, considerando diferentes níveis de alavancagem-alvo e o grau de conforto de cada administração com o nível de endividamento.
Caso a Enel optasse por empacotar RJ com SP em eventual venda, a XP não vê, isoladamente, capacidade de balanço suficiente em nenhuma companhia para absorver o conjunto. Além disso, a maior parte das empresas dispõe de caixa limitado para aportar equity, o que exigiria rapidez na captação de volumes relevantes de dívida em um curto espaço de tempo.
O que a Enel diz?
Em nota, "a Enel Distribuição São Paulo informou que vem apresentando melhora consistente nos indicadores que medem a duração e quantidade das interrupções de energia, que atingiram respectivamente 6,83h e 3,82 vezes em 2025 - um patamar melhor do que as metas regulatória. Além disso, a apresentou uma melhora de cerca de 50% no Tempo Médio de Atendimento em 2025 em comparação com 2023."
Além disso, ressaltou a fala do CEO do grupo italiano, Flavio Cattaneo, de que não está interessada em vender sua concessão de distribuição de energia em São Paulo.
Em coletiva de imprensa, o executivo comentou sobre as dificuldades com a concessionária paulista, que enfrenta um processo que pode levar à caducidade da concessão, o que levou a especulações sobre uma potencial venda do ativo antes da perda do contrato.
Sobre o processo da Enel São Paulo, Cattaneo disse que a companhia 'não tem medo', pois acredita estar correta do ponto de vista jurídico.
Infomoney
https://www.infomoney.com.br/mercados/e-se-a-enel-deixar-suas-concessoes-pelo-brasil-xp-traca-cenarios-para-setor-eletrico/





